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Apostadores de bet em periferias buscam ajuda após pesadelo

Kaio*, de 42 anos, lembra de uma madrugada silenciosa em julho quando o celular tocou com anúncios de apostas. Primeiro, eufórico. Depois, perdeu R$ 1 mil, R$ 2 mil e, em minutos, R$ 5 mil. Era o dinheiro que um amigo emprestou para pagar dívidas com agiotas de outras bets. Ele é um dos apostadores de bet em periferias que buscam ajuda após a vida virar pesadelo.

A perda de noção de tempo é um dos indicativos da ludopatia, doença que consiste em transtorno de controle de impulsos para jogos. Kaio, motorista de uma prefeitura em Goiás, vendeu carro, móveis e a casa da família para pagar dívidas que passam de R$ 200 mil. Perdeu o casamento e hoje dorme sobre papelão em um dormitório alugado. Ele frequenta um Centro de Atenção Psicossocial (Caps) no Distrito Federal e toma três remédios por dia. "Pior do que minha dependência em álcool e outras drogas", afirma.

A psiquiatra Katia Branco, supervisora do Grupo Pro-Amiti do Hospital das Clínicas de São Paulo, explica que pessoas em vulnerabilidade, classes C e D, são as mais atingidas. Elas buscam melhorias de vida, mas encontram desinformação e publicidade enganosa. A psicóloga Claudia Feres, da secretaria de Saúde do DF, destaca que a pessoa tem "um cassino na palma da mão" e que o tratamento segue a lógica de redução de danos, afastando o paciente do celular.

Sinais de alerta incluem evitar socializar, trocar a madrugada pelo dia e demonstrar nervosismo. Nos Caps, equipes multidisciplinares fazem acolhimento e buscam trazer a família para perto. João, de 32 anos, paraplégico, faz tratamento semanal com a mãe, que teme os gastos com jogos online. Ricardo, de 26 anos, pedreiro no Sol Nascente, segunda maior favela do Brasil, perdeu mais de R$ 100 mil desde 2018 e viu o relacionamento acabar. "A abstinência bate tão forte que a gente não consegue ter uma noite de sono normal", relata.

O endividamento "em cascata" agrava depressão, ansiedade e ideação suicida. Especialistas defendem que a solução é coletiva e de políticas públicas, não individual. Se você ou alguém próximo apresenta sinais, procure um Caps ou a rede pública de saúde. Buscar ajuda cedo é o primeiro passo para recomeçar tratamento para dependência de jogos no SUS como identificar sinais de ludopatia.

Babriela Wenzel Antunes
Especialista em CRM e automação de marketing
Constrói jornadas de cliente e fluxos de e-mail; defende relação acima de conversão imediata.
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