Mario Frias e produtora de Dark Horse alvos da PF
A Polícia Federal deflagrou na manhã desta quinta-feira (10) a Operação Make Up, que apura desvio de recursos públicos por meio de emendas parlamentares repassadas a empresa privada. Os alvos são o deputado federal Mario Frias (PL-SP) e Karina Gama, produtora do filme Dark Horse. Frias é roteirista e produtor-executivo da cinebiografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
O que se sabe até agora:
- 49 mandados de busca e apreensão, expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF), são cumpridos em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Distrito Federal.
- Duas entidades de propriedade de Karina Gama estão entre os locais de busca: o Instituto Conhecer Brasil (ICB) e a Academia Nacional de Cultura (ANC).
- As investigações apontam uma organização criminosa que teria usado recursos públicos de forma irregular e sem prestação de contas, com irregularidades até julho deste ano.
- Os desvios, segundo as autoridades, são da ordem de centenas de milhões de reais.
- A PF investiga peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes licitatórios.
A operação foi autorizada pelo ministro Flávio Dino, do STF, responsável pelo processo sobre os supostos desvios de emendas parlamentares.
Em paralelo, corre o processo que apura irregularidade no repasse de R$ 61 milhões de Daniel Vorcaro para o filme, a pedido do senador Flávio Bolsonaro. A relatoria é do ministro André Mendonça, responsável pelo caso do Banco Master no STF. Em maio deste ano, o site The Intercept revelou que Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pediu dinheiro a Vorcaro para financiar as gravações da cinebiografia. Após a divulgação de áudios de uma conversa entre os dois, ocorrida em novembro do ano passado, o senador negou ter combinado qualquer vantagem indevida com o banqueiro e afirmou que os recursos repassados ao filme eram integralmente privados.
A Agência Brasil procurou a assessoria de Mario Frias e ainda não recebeu resposta. A reportagem também tenta contato com Karina Gama.
Do ponto de vista de quem acompanha investigações sobre emendas, a leitura do caso exige separar o que está documentado do que segue em apuração. A operação desta quinta aponta indícios, não condenação. O critério para acompanhar o desdobramento é simples: verificar se as defesas apresentam prestação de contas dos recursos e se o STF mantém ou revoga as medidas autorizadas.